quarta-feira, 16 de junho de 2010

O Passageiro Pseudo-Intelectual

Se você é uma pessoa que tem o hábito da leitura, já deve ter tido a experiência de ler no metrô. Se você já teve a experiência de ler no metrô, deve saber que isso só é possível longe dos horários de pico e, de preferência, se você estiver sentado. Qualquer tentativa de ler o que quer que seja fora dessas condições tem 99,9% de chances de dar merda. Pode parecer exagero ou implicância da minha parte, mas na prática, trata-se apenas de uma questão meramente espacial mesmo.

É muito simples, imaginem a seguinte situação: lá está você, as 6hs da tarde [ou da manhã, dá na mesma porque o caos é o mesmo], em meio ao corredor de um vagão do metrô já abarrotado de gente na Sé. Ao olhar pela janela, você se depara com centenas de pares de olhos aflitos, e pés que anseiam por adentrar o vagão em que você se encontra, antes mesmo das portas se abrirem.

Quando as portas se abrem, aquela manada de mamutes urrantes força a entrada no trem, mesmo depois de cada centímetro do vagão já estar preenchido. Não há espaço sequer para uma molécula extra de oxigênio, o quê, aliás, você percebe que começa a faltar. Neste cenário, SE você é um leitor assíduo, e SE é uma pessoa sensata, você tenta achar uma posição razoavelmente "confortável", mantem-se nela, e simplesmente, respira. E deixa a leitura para um lugar mais propício.

Já se você é um desses descendentes do Joselito, que só se utilizam da ferramenta da leitura pra se certificar de que seus nomes não estão no site da polícia civil por alguma das cagadas que fizeram na vida, e que normalmente pegam metrô no mesmo vagão que eu, você ABRE UM LIVRO [ou uma apostila, um folder, um mapa-mundi, whatever...]. E não contente com a joselitagem número um, ainda encontra espaço pra uma ousadia maior, agindo como se as pessoas a sua volta estivessem cometendo o DESPAUTÉRIO de não evaporarem para dar espaço ao livro que, aliás, está na cara que só é aberto no metrô.

Pode parecer engraçado, mas isso acontece corriqueiramente. Como se não bastasse o aperto padrão do metrô nos horários de pico, sempre tem um imbecil que insiste em resolver ler com o livro apoiado na sua cabeça/nuca/costas/ombros. E normalmente, olhar feio não resolve. Aliás, experimente reclamar para ver o que acontece: é barraco na certa! Não importa quanta razão você tenha. Também pudera; se essas pessoas tivessem educação, jamais PENSARIAM em tomar uma atitude dessas.

Guia de Etiqueta para o Metrô

Nossa consultuora de moda, estilo e etiqueta, Cláudia Abafao Caso, dá dicas para você, que quer parecer cult e cool dentro do metrô, sem dar na cara que na verdade, você não costuma ler nem plaquinha com nome de rua.

"Ao entrar no metrô, mantenha sempre uma postura blasé [não sabe o que é blasé? www.google.com], andando com postura reta, nariz e bumbum empinados. Se achar necessário abrir um livro só para reforçar a pose, em primeiro lugar, certifique-se de que ele não está de cabeça para baixo. Depois, preste atenção a sua volta, pois a envergadura de seu livro não deve ser um incômodo para outros usuários. Caso você constate que não há espaço para manter olivro aberto, leve-o fechado nas mãos, usando um dedo como marca páginas.
Se nada disso conseguir te deixar com cara de cult, use uma boina."

Cláudia Abafao Caso

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Lado direito, lado esquerdo, lado esquerdo-direito...

Um dia, quando eu era criancinha, lá no maternal, a Tia Dalva colocou um pingunho de "tinta dedo" nas costas de cada uma das nossas mãos. A tinta era amarela na "mão que escreve", e vermelha "na outra", e assim ela nos ensinou o que era direita e esquerda.

Quando eu lembro disso, apesar de não ter nenhuma qualificação pedagógica, encontro um erro enorme neste método: como ensinar que a direita é a "mão que escreve" pra um bando de crianças onde nem todas são destras?? Se o cara for canhoto, vai crescer achando que a mão esquerda dele é a direita, e vice-versa!

E isso causará transtornos terríveis na vida desta criança quando ela for adulta. Por exemplo:

- Ela não vai tirar carta de motorista. Imaginem um teste de direção... O instrutor diz: "fique sempre à direita", daí o cara fica na esquerda [que pra ele É a direita], bate o carro, é reprovado e aí vão anos de terapia pra consertar o trauma.

- Ela vai viver perdida. Mais alguém consegue visualizar como seria a situação desse cara saindo do metrô e pedindo informação pra chegar em algum lugar???

- Ela não vai conseguir manter relacionamentos amorosos. Porque aliança de namoro, é colocada no anelar direito. Se a namorada[o] tiver a noção de direito e esquerdo dos outros mortais [os destros], a namorada[o] vai se assustar achando que o cara[ou a menina] está sendo apressadinho[a]. Por outro lado, se ele[a] optar por só usar alinaça depois do casamento, só então a companheira[o] vai descobrir que depois de casada[o], ela ainda está noiva [e isso pode dar divórcio].

- E por fim, se esse cara for um usuário do metrô, ele, com certeza, vai ser aquele ser que fica parado à direita da escada rolante bloqueando a passagem, e faz cara feia quando alguém pede passagem porque afinal de contas, ele está no lugar certo.

Por isso, senhoritas professoras de maternal, mais cuidado na hora de ensinar direita e esquerda para as crianças. Hunf!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Anjos existem

Hoje eu acordei muito triste.

Essa semana não tem sido a minha, e como o metrô é um amplificador de emoções [sempre tem alguém lá pra tornar seu dia pior...], certamente depois da minha viagem para o trabalho, meu dia ainda ia piorar...

O metrô não estava muito superlotado [estava apenas lotado] na hora em que eu o peguei, hoje de manhã. Mas como eu previa, sempre aparece um filho da puta.. Esse apareceu cedo: pegou o metrô logo na minha primeira estação.

Era um cara alto, mal-encarado, escondia o rosto no capuz da sua blusa de moletom, e entretia-se com um celular; o perfeito estereótipo de mano da z/l. Para completar sua imagem pré-concebida, só faltava a má educação, coisa que ele conseguiu demonstrar com clareza quando, em meio a uma profusão de lugares para segurar, escolheu poucos centímetros acima da minha cabeça, e ainda, passou a usá-la para apoiar o cotovelo.

Pronto! Meu dia ruim já estava a começando ser ruim, exatamente como eu previa. Mas eu não contava com Ele... O mano estava atrás de mim, mas do meu lado esquerdo - o lado da porta do metrô - tinha um outro rapaz. Era simpático, mas meio esquisito; algumas vezes, eu percebia que ele fixava seu olhar no meu rosto, ficava um tempão olhando como se fosse me dizer alguma coisa, mas não dizia nada.

Algumas vezes, tive a impressão de que esse cara ia tentar algum xaveco ou coisa parecida, mas me surpreendi com ele. Percebendo todo o desconforto que o mano da z/l me causava [afinal eu não tinha onde pôr, vejam só, a minha CABEÇA], ele se esforçou pra abrir um espaço a mais entre nós e me disse: " vem mais pra frente". Fiz um gesto, mostrando-lhe que eu carregava uma mochila e, por isso, eu não caberia naquele espaço, e ele, então, tentou se reacomodar de modo que minha mochila coubesse ali. Eu agradeci a ajuda, mas dali pra frente, não mantivemos nenhuma conversa.

Mais pra frente, conforme o metrô se aproximava da Sé, como de costume, o vagão foi lotando progressivamente. Para a minha surpresa, meu vizinho de viagem preferiu ser esmagado a me esmagar, e a cada leva de gente que entrava, ele fazia algum esforço para não acabar me esmagando por tabela.

A uma certa altura dos acontecimentos, fiquei intrigada, pois reconsiderei a hipótese da intenção de xaveco por parte do moço, eis que finalmente chegamos na estação em que eu desceria. O rapaz perguntou se eu desceria ali e me contou que o fim da sua linha seria uma estação depois daquela. Me desejou bom dia - ao que eu respondi educadamente - e eu desci pra fazer baldeação. Eu fiquei realmente surpresa; por que alguém que nem me conhece usou de tanta gentileza comigo assim, tão por nada, tão de graça?

Anjos existem. E eles não têm asas nem auréola; são apenas pessoas comuns que têm atitudes bacanas, em momentos inspirados, e que numa dessas, podem salvar seu dia. Eu ganhei o dia por conta da 'proteção' daquele completo estranho.

Hoje eu acordei muito triste. Mas vi o sol nesta manhã tão cinza.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ah, os folgados, sempre eles...

Bom dia, Galera!

Hoje o dia começou me mostrando novas possibilidades: conheci novas formas de ser folgado no metrô, nunca antes presenciadas por mim. ¬¬

Imaginem o que é um metrô lotado; de uns dias pra cá, aquela situação de não ter espaço nem no chão, pra apoiar os dois pés, tem se tornado cada vez mais corriqueira. Todo santo dia me deparo com essa situação, que é mais infernal do que o metrô - que já estava numa situação infernal - costumava ter.

Eis que hoje, no meio daquela luta por sobrevivência dentro do vagão eu me deparo com a cena: uma mulher sentada no assento preferencial, com o filho no colo. Daí vocês vão dizer: "e o que há de errado nisso?". Eu lhes respondo: o que há de errado nisso, é que o moleque no colo da folgadona não só não era nenhuma criancinha de colo, como já era bastante marmanjo, e devia ter lá seus 11 anos - quase um pré adolescente.

De novo, alguém vai pensar: " mas isso não é nada incomum, pois tem muitas folgadas por aí que usam o pretexto da 'criança' para se utilizarem dos assentos preferenciais". Pois é, só que essa conseguiu transcender o significado da folga. Não contente em chamar as outras pessoas de IDIOTAS com a desculpa da "criança de colo", ela ainda largou no meio do chão do vagão, mochila e lancheira do herdeiro de seus bons costumes.

Quer dizer; além de tudo, ela não podia segurar a porcaria dos seus pertences, porque isso, provavelmente, a faria ficar desconfortável não é mesmo? Então ela pensou: "ah, deixo aí no chão mesmo e os trouxas sem criança pra usar como desculpa pra sentar que se f#*%$!".

Gente, não dá, né...


Guia de Etiqueta par ao Metrô


Às vezes, somos obrigados a carregar volumes extras nas viagens de metrô. Não é uma situação muito confortável, a gente sabe. Mas tem dia que não tem jeito: essa é a opção e pronto. Por isso, preparei algumas dicas pra tornar esse fardo mais leve, independente do peso de suas sacolas/mochilas/whatever, quando essa situação inveitável. Dá uma olhada:

- Tente sempre carregar suas coisas o mais próximo do seu corpo possível. Além de não atrapalhar [ou atrapalhar menos] a passagem das outras pessoas, você ainda cuida para não perder [ou pra não sorrupiarem] nenhum de seus pertences.

- Se conseguir um lugar para sentar e o metrô estiver muito cheio, tente colocar a maior quantidade de sua carga no colo, deixando o chão livre para aqueles que deram menos sorte que você. Se for inevitável colocar algo no chão, tente colocar suas coisas em lugares que causem o mínimo de transtorno para os outros, como atrás das suas pernas, por exemplo.

- Quando estiver sentado e vir alguém carregando muitas coisas ao mesmo tempo, ofereça-se para segurar alguma coisa. Para quem está sentado não faz muita diferença termuitas sacolas no colo, já para quem está em pé, segurando tudo ao mesmo tempo, lutando por um lugarzinho, e ainda, tentando se segurar, a coisa é bem mais complicada...

E por hoje é isso aí! =*




quarta-feira, 14 de abril de 2010

Quem diria, quem diria...

Segunda-feira, além do metrô que eu pego habitualmente, eu precisei usar também os serviços da CPTM. Eram 6 horas da tarde, então, eu já imaginava péssimas "surpresas", afinal eu costumava me utilizar destes serviços no passado, quando ainda era uma universitária.

Um dos trens que eu pegava todo santo dia, era pior do que o metrô: além de lerdo e das pessoas [como de hábito] muito mal educadas, lá tambem existiam os mal-encarados e os vendedores ambulantes. Um verdadeiro mercado de peixe. A linha que peguei segunda-feira foi outra, para outro lugar. Mas "trem, é trem", eu pensava. Me enganei redondamente.

É claro que aquelas pessoas sem-berço, marcavam, sim, presença dentro do vagão, afinal, gente sem educação é como mato: tem em qualquer canto. Mas o que foi surpresa para mim, foi que encontrei uma quantidade acima da média de pessoas gentis e de bom senso naquele vagão.

Eu não sei se eu dei sorte, ou se aquela linha é sempre daquele jeito. Só sei que foi uma supresa bastante agradável e que, de certa forma, me trouxe um pouco de esperança de que os seres humanos ainda tenham alguma salvação no caminha para a selvageria.

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um desabafo, um pedido, uma reflexão...

Hoje eu quero registrar minha indignação com a situação em que se encontrava o metrô nesta manhã. Acabo de chegar no trabalho, são 7:30hs, mas eu deveria ter chegado as 7hs. Curiosamente, acordei às 5:50hs, e cheguei a uma estação da linha vermelha do metrô por volta das 6:30hs, como faço todas as manhãs, com horários calculados para chegar aqui às 7hs.

Já na passarela, me deparei com uma fila enorme, que vinha das poucas catracas existentes na estação. Levei algo em torno de 10 minutos apenas para conseguir adentrar a estação e, ao chegar na plataforma, me deparei com um volume muito maior de pessoas do que o que é habitual ali, naquela estação e naquele horário.

Entrar nos trens que ali paravam, foi uma tarefa impossível por conta do estado em que os mesmos estavam quando abriam as portas na plataforma de estação em que eu estava: lotado. E quando eu digo "lotado", não estou usando nenhum recurso hiperbólico, mas o sentido mais fiel da palavra, sem que ela represente um décimo a mais do que os meus olhos realmente viram. Não havia como entrar nos vagões. Nem mesmo aqueles seres chucros, comuns no metrô todos os dias, que tem por hábito empurrar aqueles que já estão dentro do trem a fim de embarcar, foram capazes de tal feito hoje de manhã, pois simplesmente, não cabia mais NADA dentro deles.

Esperei cerca de 6 trens para então conseguir entrar em um deles. É necessário dizer, que o trem no qual embarquei não estava diferente dos outros, e que não entrei lá com o mínimo de conforto ou segurança, mas sim empurrada e empurrando as pessoas que já estavam lá, pois de outra forma, eu jamais teria embarcado hoje.

É desnecessário dizer que a viagem foi desconfortável- pra não dizer que foi torturante - pois o desconforto daquele aperto, das pessoas que precisavam portar-se feito flamingos [apoiando-se em um pé só porque tiraram o outro do chão e não encontraram mais lugar para apoiá-los depois] do mal estar gerado por aquele contato físico demasiadamente próximo e íntimo imposto por um vagão superlotado, foram ainda prolongados por uma marcha lentíssima praticada pelo condutor do trem por algum motivo que eu - e todos os outros usuários - desconhecemos, e que o metrô não teve sequer a preocupação de informar.

A viagem até a Sé, que normalmente dura entre 15 e 20 minutos, contados a partir do momento em que se pisa na plataforma com a intenção de embarcar, hoje levou mais de meia hora. O mais incrível de tudo isso é que eu paguei caro pra utilizar um serviço desses, que me trata como se transportasse qualquer carga ordinária.

O Metrô também não se deu ao trabalho de pensar em mandar sequer um trem que já não saísse lotado de Itaquera, nem teve a preocupação de dar qualquer satisfação aos usuários a respeito do motivo pelo qual aquela estação se encontrava em situação tão lamentavelmente pior do que o usual.

Para ajudar, muitos usuários continuam sendo selvagens que, ao invés de revoltarem-se com a situação que lhes é imposta pelo Metrô e exigirem melhorias no serviço, voltam suas frustrações para os outros usuários que também estão ali em uma situação não menos pior que a deles, tentando ir trabalhar ou estudar, tornando ainda mais caótica e infernal a experiência que é fazer uma viagem de metrô.

A pergunta que fica quando passo por esse tipo de experiência é: até quando? Até quando vai ser viável sair de casa? Quanto tempo mais para que se chegue em um ponto que seja mais insustentável do que o atual, a ponto de inspirar qualquer mudança que seja? Quanto tempo leva pras pessoas aprenderem a se portar publicamente e pra entenderem que é necessário ser colaborativo em situações que envolvam coletividade? Quanto tempo eu ainda aguento ficar nesta cidade?


terça-feira, 6 de abril de 2010

Nota de sabedoria

Você sabe quando uma pessoa é sem noção quando ela resolve ABRIR UM LIVRO no meio de um metrô lotado.

Bom dia!

segunda-feira, 5 de abril de 2010

A moda e o metrô

Ah, a segunda-feira! Melhor do que uma segundona comum, só uma segundona chuvosa & pós feriado, não é mesmo?!

Nessas ocasiões, o metrô vira uma micareta: aquele povo suado se desespera por causa da chuva, e aí, queridos, podem esperar que o empurra-empurra vai ser maior e o esfrega-esfrega vai ser pior. O metrô, que não é de negar fogo quando se trata de er... "diversão popular", colabora trabalhando mais devagar pra... ah, sabe como é, assim o povão pode aproveitar a festa por mais tempo... ¬¬

E no meio de toda essa diversão, é claro que não podem faltar nossos tipinhos típicos. Incrivelmente, nessas horas tem pelo menos uns dois de cada tipo te rodeando, ao mesmo tempo. É um folgado de lá, um bafo de merda de cá, tem aquela gordinha simpática que gosta de dançar dentro do metrô cheio [e do seu lado] e aquele engraçadão que não vê mulher há um mês. Me digam: tem como não começar o dia de bom humor???

Então, pra te ajudar a - literalmente - embarcar nessa curtição e ainda ficar na moda, o NVDM te ajuda a se montar pra ocasião! =D



Uêbaaaaaaa!!


Bem, para aqueles que, como eu, adoooooooooram essa "farra" que é uma viagem de metrô, e que querem estar bem protegidos durante esse safári, digo, essa festa, sugiro este figurino aqui:


Chique, não?
* Imagem retirada de tropaselite.t35.com


Agora, se o seu estilo é mais soltinho e você quer mesmo é
sijogar, vá assim:


Ishpia que pheena!
* Imagem retirada de boacampeao.blogs.sapo.pt

E por hoje é só, pessoal. Fiquem ligados nas nossas próximas dicas de moda, etiqueta e defesa pessoal no metrô, que essa semana tem mais!


quinta-feira, 1 de abril de 2010

Bafo de Bosta

Lembra quando você era pequeno e sua mãe te mandava escovar os dentes?

Tenho certeza que todo mundo já passou por isso, a diferença é que existem crianças que obedecem a essa ordem, e crianças que fogem da escova de dentes como quem foge de chibatadas. Eu costumava achar que apenas as crianças fugiam da escova de dentes. Até hoje de manhã.

Mas hoje cedo descobri que tem muito marmanjo por aí com boca de boeiro. O grande problema de ter que ficar perto de alguém com bafo no metrô, é que não se tem pra onde fugir. Prender a respiração não dá - pelo menos, não pelo tempo de uma viagem inteira - por motivos óbvios. Mudar de lugar - ou até mesmo de posição - não costuma ser uma possibilidade quando se está em um vagão lotado. O que fazer, então, numa situação dessas?? Infelizmente nessas horas, somos obrigados a nos submeter involuntariamente ao mais podre que possa vir de dentro de uma pessoa: o bafo.

Eu fico pensando se essa gente, já passada da idade de receber ordens para manter sua higiene pessoal em dia, não teve uma mãe - ou um responsável - que alguma vez na vida tivesse ordenado o uso de uma escova de dentes e de um fio dental. Será que nunca ouviram falar no quanto é recomendável que se escove os dentes pelo menos 3 vezes ao dia e após as refeições??? Acho, inclusive, que seria bacana se essas recomendações se estendessem para coisas mais espcíficas, tipo "3 vezes ao dia e após as refeições, principalmente se tiver fezes no café da manhã"...

Achou nojento, né?! Pois é, imagine então ter que sentir o cheiro do bafo de merda alheio durante uma viagem inteira de metrô, logo no início do dia.

Bom dia a todos.

quarta-feira, 31 de março de 2010

Gordinhos Espaçosos


Se tem uma coisa que minhas experiências no metrô me levam a refletir sobre, é a possibilidade da existência de alguma relação entre a concentração de tecido adiposo que o indivíduo carrega [literalmente] e a deficiência que impossibilite o ser de entender e fixar conceitos de física básica. Sim, porque é impressionante como quanto maior o diâmetro da criatura, mais ela ignora o fato de que é impossível que dois corpos ocupem o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Então, ou isso configura algum problema que deve ser estudado pela ciência, ou é mesmo muita folga e falta de noção.

Eu chamo esse tipinho de Gordinho Espaçoso. Particularmente, acho o nome bastante auto-explicativo, mas caso você, leitor, seja - assim como este tipo - uma anta, vou explicar quem são eles. Primeiro, vamos deixar claro que nem todo mundo que tem formas avantajadas é folgado. Existem muitos gordinhos simpáticos por aí, mas dentro do grupo " gordinhos", os espaçosos são um grupo bastante er... extenso, eu diria. Então, vamos a eles!

O Gordinho Espaçoso pensa que seu umbigo é o centro do universo. Isso é compreensível - dado o tamanho do universo em comparação à extensão de sua pança - mas não é admissível, sendo que é uma idéia que pode
oprimir outras pessoas, se é que vocês me entendem. Sendo assim, este indivíduo é aquele que, quando o trem pára na estação e as portas se abrem, mesmo sendo visível que o vagão não tem espaço nem mesmo para mais uma molécula de oxigênio, empurra todo mundo a fim de caber no vagão. Além disso, ainda quer que todos mantenham um braço de distância de seu corpitcho, para poder ter o que sua presença impede que os outros passageiros tenham: conforto.

Jamais esperem deste tipo um pedido de licença ou de desculpas porque it's not gonna happen. Parece que a deficiência para conceitos de física também atinge a parte do cérebro responsável por lembrar das boas maneiras...


* É muito importa
nte ressaltar que um indivíduo pode se encaixar em mais de um conceito de Tipinho Típico ao mesmo tempo. *


Oh-my-God!!!

* Imagem: http://www.rriscoserrabiscos.blogspot.com



Guia de Etiqueta para o Metrô

Se quando estava lendo este post você se deu conta de que se encaixa nas descrições anteriores, não se desespere: [quase] tudo tem salvação! É só seguir as dicas de etiqueta de nossa consultora Cláudia Abafao Caso pra se tornar um lord [ou uma lady] das plataformas subterrâneas! Vamos a ela:

"Ao pensar em entrar no vagão, verifique se o mesmo encontra-se na plataforma e, logo após, verifique se há espaço nele para uma pessoa [de preferência do seu tamanho]. Se houver espaço, peça licença a quem já se encontra lá dentro, e entre. Se não houver, aguarde o próximo trem.
Agora, se você precisar aguardar por mais de 20 trens para conseguir embarcar, volte para Itaquera para pegar o metrô vazio que sai de lá, ou faça uma dieta que te garanta entrar em qualquer espacinho número 36, dentro de qualquer vagão."
(Cláudia Abafao Caso)

Por hoje é só. Amanhã voltamos com mais dicas de viagem [de metrô].

terça-feira, 30 de março de 2010

A mundiça, o inferno e os Neandertais

Bom dia, Galera.

Sebem, a manhã de hoje me trouxe duas conclusões e uma dúvida. A primeira conclusão, é que eu tenho certeza de que o inferno é um vagão lotado de gente suada, fedida, feia e mal educada, no qual o castigado é obrigado a passar a eternidade. Particularmente, eu devo ter sido uma menina muito má não só nessa, como também em todas as minhas outras encarnações, porque pegar esse metrô logo cedo, ninguém merece. A não ser por castigo...

A segunda conclusão é de que não tem jeito: o povão gosta mesmo é de uma aglomeração. O metrô pode estar vazio que ainda assim eles um jeito de conturbar e ficarem a viagem inteira espremidos em cima de você e dos outros. A impressão que eu tenho é que tem gente, que mesmo que ganhasse na mega sena acumulada e não precisasse trabalhar nunca mais na vida, continuaria pegando metrô só pra poder ficar ali: se esfregando no meio da mundiça. É como dizem; você tira o Zé da mundiça, mas não tira a mundiça do Zé.

E por fim, a minha dúvida é: como é que aqueles "cavalheiros" que eu encontro todos os dias no metrô se reproduzem? Né, porque, se aquilo que eles usam todo dia de manhã é o bom senso e a educação habitual que eles têm, fico imaginando que tipo de doida [ou de necessitada] topa casar [ou dar "bom dia"] pra esses tipos aí. Aliás, não é por nada, não, mas se os herdeiros desses neandertais herdarem também a delicadeza dos papais, o mundo com certeza poderá continuar muitíssimo melhor sem eles. Acho que vou começar uma campanha para castração...


Tipinho Típico

Hoje eu vou apresentar um tipinho típico que tem tudo a ver com o assunto do dia: Neandertais.

Esse tipo de cara de braço peludo, gosta de ficar roçando-o na cara das pessoas de bem, e de obrigá-las a cheirar seu sovaco suado. Ele pensa que a sua cabeça ou ombro é o braço do sofá da Marabraz que ele tem em casa, então, sempre que segura nas barras de metal do metrô, ainda que o vagão esteja vazio, ele descansa seu cotovelo no infeliz que estiver mais próximo. E esse pode ser você.


Guia de Etiqueta para o Metrô

Se você for um Neandertal e não quiser se desfazer dos seus pêlos, ou não tiver dinheiro pra uma depilação a laser, siga as dicas da nossa especialista em etiqueta para Neandertais, a famosa autora do livro "Etiqueta para o Neandertal Atual", Cláudia Abafao Caso:

"Ao segurar nas barras de metal do metrô, certifique-se de que não está incomodando ninguém. Caso perceba que está deixando alguém desconfortável, MUDE A M*** DA SUA MÃO DE LUGAR OU ABAIXE O BRAÇO, PORRA!"
(Cláuda Abafao Caso)


Bem, crianças, e por hoje é só!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Bolsa

Bom dia, Galera!

Pegar metrô não é pra qualquer um, não. Acabo de pisar no trabalho, mas já comecei o dia me estressando. Aliás, me estressando não: sendo estressada.

Ocorre que o metrô estava naquele seu estado habitual - lotado - quando entra uma "lindíssima" com sua bolsa enorme, de qualquer jeito e em cima de mim. Isso é um Tipinho Tìpico* no metrô que consiste naquele pessoal que entra no vagão com seus volumes e acha que as pessoas que já estão lá dentro é que devem se virar pra se adaptar a esses acessórios.

Ela poderia, assim como eu costumo fazer, colocar sua bolsa a frente do corpo, mas em vez disso, preferiu empurrar sua bolsa pra cima de mim. E quando eu digo empurrar, não é força de expressão. Como meu braço ficou esmagado entre a minha bolsa, a qual eu segurava na frente do meu corpo, e a dela, tentei me mexer pra achar uma posição melhor. Óbvio que ela se tocou que estava incomodando, mas aparentemente, meu incômodo não a incomodou; pelo contrário: ela passou a perseguir meu desconforto, fazendo o possível para manter sua enorme bolsa me soterrando até o final da viagem.

Observando aquela falta de classe bem ali, invadindo minha manhã de segunda-feira, resolvi criar um Guia de Etiqueta para o Metrô. Afinal de contas, se você se preocupa em parecer civilizado num restaurante, num cinema ou em qualquer outro lugar, por quê se comportar como um aborígene quando está ali, no aperto, onde é justamente a gentileza a atitude mais preciosa? Bem, sendo assim, de hoje em diante, alguns posts terão o marcador "Guia de Etiqueta para o Metrô" e, após meus relatos, darei dicas de como ser civilizado no metrô e evitar gafes e situações desconfortáveis.

Aproveito para inaugurar hoje também o marcador Tipinhos Típicos, um marcador que visa catalogar os tipos típicos de atitudes dos mal educados de plantão que estão sempre presentes nos trens e plataformas. Quem sabe um dia um tipinho caia por aqui, se identifique, e se conscientize, não é?


Guia de Etiqueta para o Metrô


Maxi bolsas são ótimas, não é mesmo? Dá pra levar, além da carteira, a maquiagem, o protetor solar, o óculos escuro, a lixa de unha, o celular, o fone de ouvido, o guarda-chuva, aquele casaquinho extra - pro caso de esfriar, aquela bijou mais chamativa - pro caso de um happy hour de última hora, etc, etc, etc. Mas como o nome já diz, ela é maxi, ou seja, é enorme!

Você pode se sentir a mais poderosa das mulheres com uma maxi bolsa, mas pra exalar esse poder além dos limites da sua própria imaginação, lembre-se sempre que os outros não são obrigados a suportar o peso de sua bolsa em seus ombros [e braços, e cabeças, e costas, etc...]. A maxi bolsa - assim como qualquer outra bolsa, mochila ou volume - deve ser carregada a frente do seu corpo, e com o máximo cuidado para que não atrapalhe ou incomode as outras pessoas dentro do vagão.

Nada de carregar a bolsa com displiscência, fazendo com que ela carregue, além dos seus pertences, todas as outras pessoas que estiverem em seu caminho. Além de irritante, isso é extremamente deselegante. Preocupe-se sempre em checar se seus volumes estão atrapalhando ou incomodando de alguma forma as pessoas que estão a sua volta, e seja gentil ao ponto de tentar sempre encontrar uma alternativa que busque o conforto comum.

A viagem será bem menos estressante e você, mais glamurosa. Porque é fácil ser uma lady dentro de um carro, mas é naquela situação de limite do estress, que se descobre quem tem berço de verdade.

terça-feira, 23 de março de 2010

O cara de 2 metros e o protetor solar

Quem usa a linha vermelha do metrô logo de manhã, sabe que ali funciona assim: ou se está dentro da estação até as 6:30hs, ou pode pensar em voltar pra Itaquera, porque vai ser quase impossível entrar no vagão sem mal estar e puxão de cabelo pelas próximas, aproximadamente, 2 horas.

Hoje eu cheguei 6:38hs ¬¬ . Entrei, já no aperto. Ao meu lado, um cara que chegava a quase bater a cabeça no teto, me fazia sentir inveja pelo conforto que a altura dele lhe dava de vantagem. Pedi licença para tentar me embrenhar pelo corredor. Ele me atendeu, com clara má vontade.

Parei atrás de duas mulheres, que perceberam a dificuldade que meu metro e meio me impunha ao tentar segurar na barra de metal àquela distância. Continuaram imóveis. E aquele vai-e-vem do trem, e eu me equilibrando...

O cara de 2 metros, então, posicionou-se atrás de mim, onde havia um belo espaço, o qual permitiria que ele sequer esbarasse em mim, se quisesse. Mas ele não quis. E flexionou o joelho a fim de ter maior "superfície de contato" entre ele e meu dérrier. Aqui uma pausa;






Por frações de segundo, uma cena de filme Hollywoodiano desenhou-se em minha mente, onde eu derrubava esse cara no chão, enchia seu corpo de "bicas", e acabava com a raça dele lenta e dolorosamente.






Voltando à realidade, meu sangue quente ítalo-hispânico subiu, e de alguma forma, criei espaço naquele vagão: dei meio passo à frente e virei-me de lado para o cara-de-pau, deixando que ele e sua perna flexionada se contentassem em roçar na lateral da minha mochila, que eu carregava por uma única alça, no ombro direito.

Minha nova posição possibilitou que eu alcançasse, ainda que com dificuldade, a barra de metal vertical, então segurei-me ali, e procurei ficar quietinha. Ainda assim, recebi olhares de reprovação da "simpática" senhora ao meu lado [a mesma que não deu meio passo para me ajudar a segurar], que agia como se houvesse um amplo e confortável espaço para todos que ali estavam.

Finalmente, cheguei na Sé! Até aquele momento eu havia passado uns 15, no máximo 20, minutos naquele vagão, mas a sensação era de que haviam se passado 3 horas. Saí do vagão e dirigi-me à plataforma de embarque para a linha azul, e, já de cima da escada rolante, consegui visualizar o inferno que me esperava no próximo trem. Toda vez que eu chego nesse ponto, me vêm cenas da Divina Comédia* à mente. Enfim, desci as escadas e me posicionei em uma das "filas".

É curioso como quando algumas pessoas, quando avistam um novo trem, antes mesmo dele parar na plataforma, começam a se agitar e ensaiam um empurra-empurra. Eu pergunto: pra quê??? Vai fazer diferença empurrar quem está a sua frente ou esperar a pessoa andar normalmente? Uma dessas pessoas, estava atrás de mim. Era desses tipos que apóia a mão no seu ombro, como que fazendo menção de te empurrar. Com um jogo de corpo, demonstrei que não gostava do contto físico, respirei, e contei até 10. Ainda bem que dali faltavam poucas estações para o meu desembarque.

Quando cheguei no trabalho [agradecendo a Deus por ter saído daquele sufoco todo], liguei meu computador e me preparava para começar a trabalhar. Eu precisava descarregar umas fotos digitais para a minha máquina, então, abri minha mochila a fim de pegar o cabo da câmera digita. Qual não foi minha surpresa, então: minha mochila estava toda gosmenta! No meio de todo aquele aperto e do empurra-empurra, meu tubo de protetor solar abriu e vazou na mochila toda! Contei até dez novamente...

Bom dia para vocês......

*A Divina Comédia, é uma obra em que Dante Alighieri descreve sua concepção de como deve ser o inferno. Tenho certeza de que a obra de Dante seria totalmente diferente se ele tivesse dado um passeio de metrô por aqui...

Prazer em conhecê-los!

A idéia de criar este blog nasceu dos mais variados tipos de situações que o o dia-a-dia dentro do metrô de São Paulo me obriga a participar e/ou presenciar, enquanto vou e volto do trabalho "esmagada" entre dezenas [ou seriam centenas?] de outras pessoas, em um vagão superlotado, sendo transportada tal qual uma bolsa made in China qualquer, dentro de um container apertado [ou será que elas viajam com mais conforto?].

Todos sabemos que o transporte é um problema muito sério na cidade de São Paulo, pois mesmo com o trânsito cada vez mais caótico e uma piora progressiva da qualidade do nosso ar, a frota de carros de passeio continua crescendo. Se isso são fatos de conhecimento geral, então por quê as pessoas continuam se utilizando de seus carros e se submetendo a horas dentro deles, presas em engarrafamentos e respirando aquele ar carregado de monóxido de carbono? A resposta é simples e, a meu ver, também bastante óbvia: porque o transporte coletivo é ineficiente.

Sendo assim, cada um se vira como pode: uns arriscam suas vidas pilotando motorcicletas por entre os automóveis, outros passam horas dentro de seus carros e, em último caso, utiliza-se ônibus, metrô, lotação, etc. Com reservas. Sempre. Porque é caro e ruim, e não tem segurança, e demora, e está sempre abarrotado de gente, e é perigoso, e muitos outros "e's", que fazem a gente sentir calor e preguiça só de pensar.

O foco deste blog é o Metrô de São Paulo e seus usuários. Nós, como cidadãos, estamos todos no mesmo barco de desamparo por parte daqueles que, ano após ano, tiveram a responsabilidade e a oportunidade de cuidar desta cidade maravilhosa [eu não estou sendo irônica]. Dentre outras coisas, faltou planejamento para que hoje, 2010, o paulistano tivesse condições de deixar o carro em casa e adotasse o transporte público como sua primeira opção.

É impossível ter qualidade de vida quando você tem de lidar com metrô lotado logo após acordar, e depois, bem ao final de um cansado dia de trabalho, logo antes de, finalmente, descansar. Os usuários dos vários meios públicos de transporte, têm, sim, sua parcela de responsabilidade em torná-los filiais móveis do inferno na Terra: é uma falta de educação, respeito ao próximo e organização que se perpetuam geração após geração. E juntando todos os ingredientes num caldeirão, temos as desagradáveis experiências que se desenrolam ao pegar um metrô lotado todas as manhãs, antes mesmo de começarmos nosso dia.

É dessas experiências que tratará este blog. Entre, seja bem-vindo, fique à vontade [mas não muito, pois o espaço é limitado], ria, irrite-se, identifique-se e pense. Se todos nós mudarmos de atitude dentro [e fora] do metrô, podemos ajudar a tornar a nossa vida e a dos outros, mais leve, agradável e bem-humorada.

Welcome to the jungle!