quarta-feira, 7 de abril de 2010

Um desabafo, um pedido, uma reflexão...

Hoje eu quero registrar minha indignação com a situação em que se encontrava o metrô nesta manhã. Acabo de chegar no trabalho, são 7:30hs, mas eu deveria ter chegado as 7hs. Curiosamente, acordei às 5:50hs, e cheguei a uma estação da linha vermelha do metrô por volta das 6:30hs, como faço todas as manhãs, com horários calculados para chegar aqui às 7hs.

Já na passarela, me deparei com uma fila enorme, que vinha das poucas catracas existentes na estação. Levei algo em torno de 10 minutos apenas para conseguir adentrar a estação e, ao chegar na plataforma, me deparei com um volume muito maior de pessoas do que o que é habitual ali, naquela estação e naquele horário.

Entrar nos trens que ali paravam, foi uma tarefa impossível por conta do estado em que os mesmos estavam quando abriam as portas na plataforma de estação em que eu estava: lotado. E quando eu digo "lotado", não estou usando nenhum recurso hiperbólico, mas o sentido mais fiel da palavra, sem que ela represente um décimo a mais do que os meus olhos realmente viram. Não havia como entrar nos vagões. Nem mesmo aqueles seres chucros, comuns no metrô todos os dias, que tem por hábito empurrar aqueles que já estão dentro do trem a fim de embarcar, foram capazes de tal feito hoje de manhã, pois simplesmente, não cabia mais NADA dentro deles.

Esperei cerca de 6 trens para então conseguir entrar em um deles. É necessário dizer, que o trem no qual embarquei não estava diferente dos outros, e que não entrei lá com o mínimo de conforto ou segurança, mas sim empurrada e empurrando as pessoas que já estavam lá, pois de outra forma, eu jamais teria embarcado hoje.

É desnecessário dizer que a viagem foi desconfortável- pra não dizer que foi torturante - pois o desconforto daquele aperto, das pessoas que precisavam portar-se feito flamingos [apoiando-se em um pé só porque tiraram o outro do chão e não encontraram mais lugar para apoiá-los depois] do mal estar gerado por aquele contato físico demasiadamente próximo e íntimo imposto por um vagão superlotado, foram ainda prolongados por uma marcha lentíssima praticada pelo condutor do trem por algum motivo que eu - e todos os outros usuários - desconhecemos, e que o metrô não teve sequer a preocupação de informar.

A viagem até a Sé, que normalmente dura entre 15 e 20 minutos, contados a partir do momento em que se pisa na plataforma com a intenção de embarcar, hoje levou mais de meia hora. O mais incrível de tudo isso é que eu paguei caro pra utilizar um serviço desses, que me trata como se transportasse qualquer carga ordinária.

O Metrô também não se deu ao trabalho de pensar em mandar sequer um trem que já não saísse lotado de Itaquera, nem teve a preocupação de dar qualquer satisfação aos usuários a respeito do motivo pelo qual aquela estação se encontrava em situação tão lamentavelmente pior do que o usual.

Para ajudar, muitos usuários continuam sendo selvagens que, ao invés de revoltarem-se com a situação que lhes é imposta pelo Metrô e exigirem melhorias no serviço, voltam suas frustrações para os outros usuários que também estão ali em uma situação não menos pior que a deles, tentando ir trabalhar ou estudar, tornando ainda mais caótica e infernal a experiência que é fazer uma viagem de metrô.

A pergunta que fica quando passo por esse tipo de experiência é: até quando? Até quando vai ser viável sair de casa? Quanto tempo mais para que se chegue em um ponto que seja mais insustentável do que o atual, a ponto de inspirar qualquer mudança que seja? Quanto tempo leva pras pessoas aprenderem a se portar publicamente e pra entenderem que é necessário ser colaborativo em situações que envolvam coletividade? Quanto tempo eu ainda aguento ficar nesta cidade?


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