Um dia, quando eu era criancinha, lá no maternal, a Tia Dalva colocou um pingunho de "tinta dedo" nas costas de cada uma das nossas mãos. A tinta era amarela na "mão que escreve", e vermelha "na outra", e assim ela nos ensinou o que era direita e esquerda.
Quando eu lembro disso, apesar de não ter nenhuma qualificação pedagógica, encontro um erro enorme neste método: como ensinar que a direita é a "mão que escreve" pra um bando de crianças onde nem todas são destras?? Se o cara for canhoto, vai crescer achando que a mão esquerda dele é a direita, e vice-versa!
E isso causará transtornos terríveis na vida desta criança quando ela for adulta. Por exemplo:
- Ela não vai tirar carta de motorista. Imaginem um teste de direção... O instrutor diz: "fique sempre à direita", daí o cara fica na esquerda [que pra ele É a direita], bate o carro, é reprovado e aí vão anos de terapia pra consertar o trauma.
- Ela vai viver perdida. Mais alguém consegue visualizar como seria a situação desse cara saindo do metrô e pedindo informação pra chegar em algum lugar???
- Ela não vai conseguir manter relacionamentos amorosos. Porque aliança de namoro, é colocada no anelar direito. Se a namorada[o] tiver a noção de direito e esquerdo dos outros mortais [os destros], a namorada[o] vai se assustar achando que o cara[ou a menina] está sendo apressadinho[a]. Por outro lado, se ele[a] optar por só usar alinaça depois do casamento, só então a companheira[o] vai descobrir que depois de casada[o], ela ainda está noiva [e isso pode dar divórcio].
- E por fim, se esse cara for um usuário do metrô, ele, com certeza, vai ser aquele ser que fica parado à direita da escada rolante bloqueando a passagem, e faz cara feia quando alguém pede passagem porque afinal de contas, ele está no lugar certo.
Por isso, senhoritas professoras de maternal, mais cuidado na hora de ensinar direita e esquerda para as crianças. Hunf!
sexta-feira, 28 de maio de 2010
quinta-feira, 27 de maio de 2010
Anjos existem
Hoje eu acordei muito triste.
Essa semana não tem sido a minha, e como o metrô é um amplificador de emoções [sempre tem alguém lá pra tornar seu dia pior...], certamente depois da minha viagem para o trabalho, meu dia ainda ia piorar...
O metrô não estava muito superlotado [estava apenas lotado] na hora em que eu o peguei, hoje de manhã. Mas como eu previa, sempre aparece um filho da puta.. Esse apareceu cedo: pegou o metrô logo na minha primeira estação.
Era um cara alto, mal-encarado, escondia o rosto no capuz da sua blusa de moletom, e entretia-se com um celular; o perfeito estereótipo de mano da z/l. Para completar sua imagem pré-concebida, só faltava a má educação, coisa que ele conseguiu demonstrar com clareza quando, em meio a uma profusão de lugares para segurar, escolheu poucos centímetros acima da minha cabeça, e ainda, passou a usá-la para apoiar o cotovelo.
Pronto! Meu dia ruim já estava a começando ser ruim, exatamente como eu previa. Mas eu não contava com Ele... O mano estava atrás de mim, mas do meu lado esquerdo - o lado da porta do metrô - tinha um outro rapaz. Era simpático, mas meio esquisito; algumas vezes, eu percebia que ele fixava seu olhar no meu rosto, ficava um tempão olhando como se fosse me dizer alguma coisa, mas não dizia nada.
Algumas vezes, tive a impressão de que esse cara ia tentar algum xaveco ou coisa parecida, mas me surpreendi com ele. Percebendo todo o desconforto que o mano da z/l me causava [afinal eu não tinha onde pôr, vejam só, a minha CABEÇA], ele se esforçou pra abrir um espaço a mais entre nós e me disse: " vem mais pra frente". Fiz um gesto, mostrando-lhe que eu carregava uma mochila e, por isso, eu não caberia naquele espaço, e ele, então, tentou se reacomodar de modo que minha mochila coubesse ali. Eu agradeci a ajuda, mas dali pra frente, não mantivemos nenhuma conversa.
Mais pra frente, conforme o metrô se aproximava da Sé, como de costume, o vagão foi lotando progressivamente. Para a minha surpresa, meu vizinho de viagem preferiu ser esmagado a me esmagar, e a cada leva de gente que entrava, ele fazia algum esforço para não acabar me esmagando por tabela.
A uma certa altura dos acontecimentos, fiquei intrigada, pois reconsiderei a hipótese da intenção de xaveco por parte do moço, eis que finalmente chegamos na estação em que eu desceria. O rapaz perguntou se eu desceria ali e me contou que o fim da sua linha seria uma estação depois daquela. Me desejou bom dia - ao que eu respondi educadamente - e eu desci pra fazer baldeação. Eu fiquei realmente surpresa; por que alguém que nem me conhece usou de tanta gentileza comigo assim, tão por nada, tão de graça?
Anjos existem. E eles não têm asas nem auréola; são apenas pessoas comuns que têm atitudes bacanas, em momentos inspirados, e que numa dessas, podem salvar seu dia. Eu ganhei o dia por conta da 'proteção' daquele completo estranho.
Hoje eu acordei muito triste. Mas vi o sol nesta manhã tão cinza.
Essa semana não tem sido a minha, e como o metrô é um amplificador de emoções [sempre tem alguém lá pra tornar seu dia pior...], certamente depois da minha viagem para o trabalho, meu dia ainda ia piorar...
O metrô não estava muito superlotado [estava apenas lotado] na hora em que eu o peguei, hoje de manhã. Mas como eu previa, sempre aparece um filho da puta.. Esse apareceu cedo: pegou o metrô logo na minha primeira estação.
Era um cara alto, mal-encarado, escondia o rosto no capuz da sua blusa de moletom, e entretia-se com um celular; o perfeito estereótipo de mano da z/l. Para completar sua imagem pré-concebida, só faltava a má educação, coisa que ele conseguiu demonstrar com clareza quando, em meio a uma profusão de lugares para segurar, escolheu poucos centímetros acima da minha cabeça, e ainda, passou a usá-la para apoiar o cotovelo.
Pronto! Meu dia ruim já estava a começando ser ruim, exatamente como eu previa. Mas eu não contava com Ele... O mano estava atrás de mim, mas do meu lado esquerdo - o lado da porta do metrô - tinha um outro rapaz. Era simpático, mas meio esquisito; algumas vezes, eu percebia que ele fixava seu olhar no meu rosto, ficava um tempão olhando como se fosse me dizer alguma coisa, mas não dizia nada.
Algumas vezes, tive a impressão de que esse cara ia tentar algum xaveco ou coisa parecida, mas me surpreendi com ele. Percebendo todo o desconforto que o mano da z/l me causava [afinal eu não tinha onde pôr, vejam só, a minha CABEÇA], ele se esforçou pra abrir um espaço a mais entre nós e me disse: " vem mais pra frente". Fiz um gesto, mostrando-lhe que eu carregava uma mochila e, por isso, eu não caberia naquele espaço, e ele, então, tentou se reacomodar de modo que minha mochila coubesse ali. Eu agradeci a ajuda, mas dali pra frente, não mantivemos nenhuma conversa.
Mais pra frente, conforme o metrô se aproximava da Sé, como de costume, o vagão foi lotando progressivamente. Para a minha surpresa, meu vizinho de viagem preferiu ser esmagado a me esmagar, e a cada leva de gente que entrava, ele fazia algum esforço para não acabar me esmagando por tabela.
A uma certa altura dos acontecimentos, fiquei intrigada, pois reconsiderei a hipótese da intenção de xaveco por parte do moço, eis que finalmente chegamos na estação em que eu desceria. O rapaz perguntou se eu desceria ali e me contou que o fim da sua linha seria uma estação depois daquela. Me desejou bom dia - ao que eu respondi educadamente - e eu desci pra fazer baldeação. Eu fiquei realmente surpresa; por que alguém que nem me conhece usou de tanta gentileza comigo assim, tão por nada, tão de graça?
Anjos existem. E eles não têm asas nem auréola; são apenas pessoas comuns que têm atitudes bacanas, em momentos inspirados, e que numa dessas, podem salvar seu dia. Eu ganhei o dia por conta da 'proteção' daquele completo estranho.
Hoje eu acordei muito triste. Mas vi o sol nesta manhã tão cinza.
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