quarta-feira, 31 de março de 2010

Gordinhos Espaçosos


Se tem uma coisa que minhas experiências no metrô me levam a refletir sobre, é a possibilidade da existência de alguma relação entre a concentração de tecido adiposo que o indivíduo carrega [literalmente] e a deficiência que impossibilite o ser de entender e fixar conceitos de física básica. Sim, porque é impressionante como quanto maior o diâmetro da criatura, mais ela ignora o fato de que é impossível que dois corpos ocupem o mesmo lugar no espaço ao mesmo tempo. Então, ou isso configura algum problema que deve ser estudado pela ciência, ou é mesmo muita folga e falta de noção.

Eu chamo esse tipinho de Gordinho Espaçoso. Particularmente, acho o nome bastante auto-explicativo, mas caso você, leitor, seja - assim como este tipo - uma anta, vou explicar quem são eles. Primeiro, vamos deixar claro que nem todo mundo que tem formas avantajadas é folgado. Existem muitos gordinhos simpáticos por aí, mas dentro do grupo " gordinhos", os espaçosos são um grupo bastante er... extenso, eu diria. Então, vamos a eles!

O Gordinho Espaçoso pensa que seu umbigo é o centro do universo. Isso é compreensível - dado o tamanho do universo em comparação à extensão de sua pança - mas não é admissível, sendo que é uma idéia que pode
oprimir outras pessoas, se é que vocês me entendem. Sendo assim, este indivíduo é aquele que, quando o trem pára na estação e as portas se abrem, mesmo sendo visível que o vagão não tem espaço nem mesmo para mais uma molécula de oxigênio, empurra todo mundo a fim de caber no vagão. Além disso, ainda quer que todos mantenham um braço de distância de seu corpitcho, para poder ter o que sua presença impede que os outros passageiros tenham: conforto.

Jamais esperem deste tipo um pedido de licença ou de desculpas porque it's not gonna happen. Parece que a deficiência para conceitos de física também atinge a parte do cérebro responsável por lembrar das boas maneiras...


* É muito importa
nte ressaltar que um indivíduo pode se encaixar em mais de um conceito de Tipinho Típico ao mesmo tempo. *


Oh-my-God!!!

* Imagem: http://www.rriscoserrabiscos.blogspot.com



Guia de Etiqueta para o Metrô

Se quando estava lendo este post você se deu conta de que se encaixa nas descrições anteriores, não se desespere: [quase] tudo tem salvação! É só seguir as dicas de etiqueta de nossa consultora Cláudia Abafao Caso pra se tornar um lord [ou uma lady] das plataformas subterrâneas! Vamos a ela:

"Ao pensar em entrar no vagão, verifique se o mesmo encontra-se na plataforma e, logo após, verifique se há espaço nele para uma pessoa [de preferência do seu tamanho]. Se houver espaço, peça licença a quem já se encontra lá dentro, e entre. Se não houver, aguarde o próximo trem.
Agora, se você precisar aguardar por mais de 20 trens para conseguir embarcar, volte para Itaquera para pegar o metrô vazio que sai de lá, ou faça uma dieta que te garanta entrar em qualquer espacinho número 36, dentro de qualquer vagão."
(Cláudia Abafao Caso)

Por hoje é só. Amanhã voltamos com mais dicas de viagem [de metrô].

terça-feira, 30 de março de 2010

A mundiça, o inferno e os Neandertais

Bom dia, Galera.

Sebem, a manhã de hoje me trouxe duas conclusões e uma dúvida. A primeira conclusão, é que eu tenho certeza de que o inferno é um vagão lotado de gente suada, fedida, feia e mal educada, no qual o castigado é obrigado a passar a eternidade. Particularmente, eu devo ter sido uma menina muito má não só nessa, como também em todas as minhas outras encarnações, porque pegar esse metrô logo cedo, ninguém merece. A não ser por castigo...

A segunda conclusão é de que não tem jeito: o povão gosta mesmo é de uma aglomeração. O metrô pode estar vazio que ainda assim eles um jeito de conturbar e ficarem a viagem inteira espremidos em cima de você e dos outros. A impressão que eu tenho é que tem gente, que mesmo que ganhasse na mega sena acumulada e não precisasse trabalhar nunca mais na vida, continuaria pegando metrô só pra poder ficar ali: se esfregando no meio da mundiça. É como dizem; você tira o Zé da mundiça, mas não tira a mundiça do Zé.

E por fim, a minha dúvida é: como é que aqueles "cavalheiros" que eu encontro todos os dias no metrô se reproduzem? Né, porque, se aquilo que eles usam todo dia de manhã é o bom senso e a educação habitual que eles têm, fico imaginando que tipo de doida [ou de necessitada] topa casar [ou dar "bom dia"] pra esses tipos aí. Aliás, não é por nada, não, mas se os herdeiros desses neandertais herdarem também a delicadeza dos papais, o mundo com certeza poderá continuar muitíssimo melhor sem eles. Acho que vou começar uma campanha para castração...


Tipinho Típico

Hoje eu vou apresentar um tipinho típico que tem tudo a ver com o assunto do dia: Neandertais.

Esse tipo de cara de braço peludo, gosta de ficar roçando-o na cara das pessoas de bem, e de obrigá-las a cheirar seu sovaco suado. Ele pensa que a sua cabeça ou ombro é o braço do sofá da Marabraz que ele tem em casa, então, sempre que segura nas barras de metal do metrô, ainda que o vagão esteja vazio, ele descansa seu cotovelo no infeliz que estiver mais próximo. E esse pode ser você.


Guia de Etiqueta para o Metrô

Se você for um Neandertal e não quiser se desfazer dos seus pêlos, ou não tiver dinheiro pra uma depilação a laser, siga as dicas da nossa especialista em etiqueta para Neandertais, a famosa autora do livro "Etiqueta para o Neandertal Atual", Cláudia Abafao Caso:

"Ao segurar nas barras de metal do metrô, certifique-se de que não está incomodando ninguém. Caso perceba que está deixando alguém desconfortável, MUDE A M*** DA SUA MÃO DE LUGAR OU ABAIXE O BRAÇO, PORRA!"
(Cláuda Abafao Caso)


Bem, crianças, e por hoje é só!

segunda-feira, 29 de março de 2010

A Bolsa

Bom dia, Galera!

Pegar metrô não é pra qualquer um, não. Acabo de pisar no trabalho, mas já comecei o dia me estressando. Aliás, me estressando não: sendo estressada.

Ocorre que o metrô estava naquele seu estado habitual - lotado - quando entra uma "lindíssima" com sua bolsa enorme, de qualquer jeito e em cima de mim. Isso é um Tipinho Tìpico* no metrô que consiste naquele pessoal que entra no vagão com seus volumes e acha que as pessoas que já estão lá dentro é que devem se virar pra se adaptar a esses acessórios.

Ela poderia, assim como eu costumo fazer, colocar sua bolsa a frente do corpo, mas em vez disso, preferiu empurrar sua bolsa pra cima de mim. E quando eu digo empurrar, não é força de expressão. Como meu braço ficou esmagado entre a minha bolsa, a qual eu segurava na frente do meu corpo, e a dela, tentei me mexer pra achar uma posição melhor. Óbvio que ela se tocou que estava incomodando, mas aparentemente, meu incômodo não a incomodou; pelo contrário: ela passou a perseguir meu desconforto, fazendo o possível para manter sua enorme bolsa me soterrando até o final da viagem.

Observando aquela falta de classe bem ali, invadindo minha manhã de segunda-feira, resolvi criar um Guia de Etiqueta para o Metrô. Afinal de contas, se você se preocupa em parecer civilizado num restaurante, num cinema ou em qualquer outro lugar, por quê se comportar como um aborígene quando está ali, no aperto, onde é justamente a gentileza a atitude mais preciosa? Bem, sendo assim, de hoje em diante, alguns posts terão o marcador "Guia de Etiqueta para o Metrô" e, após meus relatos, darei dicas de como ser civilizado no metrô e evitar gafes e situações desconfortáveis.

Aproveito para inaugurar hoje também o marcador Tipinhos Típicos, um marcador que visa catalogar os tipos típicos de atitudes dos mal educados de plantão que estão sempre presentes nos trens e plataformas. Quem sabe um dia um tipinho caia por aqui, se identifique, e se conscientize, não é?


Guia de Etiqueta para o Metrô


Maxi bolsas são ótimas, não é mesmo? Dá pra levar, além da carteira, a maquiagem, o protetor solar, o óculos escuro, a lixa de unha, o celular, o fone de ouvido, o guarda-chuva, aquele casaquinho extra - pro caso de esfriar, aquela bijou mais chamativa - pro caso de um happy hour de última hora, etc, etc, etc. Mas como o nome já diz, ela é maxi, ou seja, é enorme!

Você pode se sentir a mais poderosa das mulheres com uma maxi bolsa, mas pra exalar esse poder além dos limites da sua própria imaginação, lembre-se sempre que os outros não são obrigados a suportar o peso de sua bolsa em seus ombros [e braços, e cabeças, e costas, etc...]. A maxi bolsa - assim como qualquer outra bolsa, mochila ou volume - deve ser carregada a frente do seu corpo, e com o máximo cuidado para que não atrapalhe ou incomode as outras pessoas dentro do vagão.

Nada de carregar a bolsa com displiscência, fazendo com que ela carregue, além dos seus pertences, todas as outras pessoas que estiverem em seu caminho. Além de irritante, isso é extremamente deselegante. Preocupe-se sempre em checar se seus volumes estão atrapalhando ou incomodando de alguma forma as pessoas que estão a sua volta, e seja gentil ao ponto de tentar sempre encontrar uma alternativa que busque o conforto comum.

A viagem será bem menos estressante e você, mais glamurosa. Porque é fácil ser uma lady dentro de um carro, mas é naquela situação de limite do estress, que se descobre quem tem berço de verdade.

terça-feira, 23 de março de 2010

O cara de 2 metros e o protetor solar

Quem usa a linha vermelha do metrô logo de manhã, sabe que ali funciona assim: ou se está dentro da estação até as 6:30hs, ou pode pensar em voltar pra Itaquera, porque vai ser quase impossível entrar no vagão sem mal estar e puxão de cabelo pelas próximas, aproximadamente, 2 horas.

Hoje eu cheguei 6:38hs ¬¬ . Entrei, já no aperto. Ao meu lado, um cara que chegava a quase bater a cabeça no teto, me fazia sentir inveja pelo conforto que a altura dele lhe dava de vantagem. Pedi licença para tentar me embrenhar pelo corredor. Ele me atendeu, com clara má vontade.

Parei atrás de duas mulheres, que perceberam a dificuldade que meu metro e meio me impunha ao tentar segurar na barra de metal àquela distância. Continuaram imóveis. E aquele vai-e-vem do trem, e eu me equilibrando...

O cara de 2 metros, então, posicionou-se atrás de mim, onde havia um belo espaço, o qual permitiria que ele sequer esbarasse em mim, se quisesse. Mas ele não quis. E flexionou o joelho a fim de ter maior "superfície de contato" entre ele e meu dérrier. Aqui uma pausa;






Por frações de segundo, uma cena de filme Hollywoodiano desenhou-se em minha mente, onde eu derrubava esse cara no chão, enchia seu corpo de "bicas", e acabava com a raça dele lenta e dolorosamente.






Voltando à realidade, meu sangue quente ítalo-hispânico subiu, e de alguma forma, criei espaço naquele vagão: dei meio passo à frente e virei-me de lado para o cara-de-pau, deixando que ele e sua perna flexionada se contentassem em roçar na lateral da minha mochila, que eu carregava por uma única alça, no ombro direito.

Minha nova posição possibilitou que eu alcançasse, ainda que com dificuldade, a barra de metal vertical, então segurei-me ali, e procurei ficar quietinha. Ainda assim, recebi olhares de reprovação da "simpática" senhora ao meu lado [a mesma que não deu meio passo para me ajudar a segurar], que agia como se houvesse um amplo e confortável espaço para todos que ali estavam.

Finalmente, cheguei na Sé! Até aquele momento eu havia passado uns 15, no máximo 20, minutos naquele vagão, mas a sensação era de que haviam se passado 3 horas. Saí do vagão e dirigi-me à plataforma de embarque para a linha azul, e, já de cima da escada rolante, consegui visualizar o inferno que me esperava no próximo trem. Toda vez que eu chego nesse ponto, me vêm cenas da Divina Comédia* à mente. Enfim, desci as escadas e me posicionei em uma das "filas".

É curioso como quando algumas pessoas, quando avistam um novo trem, antes mesmo dele parar na plataforma, começam a se agitar e ensaiam um empurra-empurra. Eu pergunto: pra quê??? Vai fazer diferença empurrar quem está a sua frente ou esperar a pessoa andar normalmente? Uma dessas pessoas, estava atrás de mim. Era desses tipos que apóia a mão no seu ombro, como que fazendo menção de te empurrar. Com um jogo de corpo, demonstrei que não gostava do contto físico, respirei, e contei até 10. Ainda bem que dali faltavam poucas estações para o meu desembarque.

Quando cheguei no trabalho [agradecendo a Deus por ter saído daquele sufoco todo], liguei meu computador e me preparava para começar a trabalhar. Eu precisava descarregar umas fotos digitais para a minha máquina, então, abri minha mochila a fim de pegar o cabo da câmera digita. Qual não foi minha surpresa, então: minha mochila estava toda gosmenta! No meio de todo aquele aperto e do empurra-empurra, meu tubo de protetor solar abriu e vazou na mochila toda! Contei até dez novamente...

Bom dia para vocês......

*A Divina Comédia, é uma obra em que Dante Alighieri descreve sua concepção de como deve ser o inferno. Tenho certeza de que a obra de Dante seria totalmente diferente se ele tivesse dado um passeio de metrô por aqui...

Prazer em conhecê-los!

A idéia de criar este blog nasceu dos mais variados tipos de situações que o o dia-a-dia dentro do metrô de São Paulo me obriga a participar e/ou presenciar, enquanto vou e volto do trabalho "esmagada" entre dezenas [ou seriam centenas?] de outras pessoas, em um vagão superlotado, sendo transportada tal qual uma bolsa made in China qualquer, dentro de um container apertado [ou será que elas viajam com mais conforto?].

Todos sabemos que o transporte é um problema muito sério na cidade de São Paulo, pois mesmo com o trânsito cada vez mais caótico e uma piora progressiva da qualidade do nosso ar, a frota de carros de passeio continua crescendo. Se isso são fatos de conhecimento geral, então por quê as pessoas continuam se utilizando de seus carros e se submetendo a horas dentro deles, presas em engarrafamentos e respirando aquele ar carregado de monóxido de carbono? A resposta é simples e, a meu ver, também bastante óbvia: porque o transporte coletivo é ineficiente.

Sendo assim, cada um se vira como pode: uns arriscam suas vidas pilotando motorcicletas por entre os automóveis, outros passam horas dentro de seus carros e, em último caso, utiliza-se ônibus, metrô, lotação, etc. Com reservas. Sempre. Porque é caro e ruim, e não tem segurança, e demora, e está sempre abarrotado de gente, e é perigoso, e muitos outros "e's", que fazem a gente sentir calor e preguiça só de pensar.

O foco deste blog é o Metrô de São Paulo e seus usuários. Nós, como cidadãos, estamos todos no mesmo barco de desamparo por parte daqueles que, ano após ano, tiveram a responsabilidade e a oportunidade de cuidar desta cidade maravilhosa [eu não estou sendo irônica]. Dentre outras coisas, faltou planejamento para que hoje, 2010, o paulistano tivesse condições de deixar o carro em casa e adotasse o transporte público como sua primeira opção.

É impossível ter qualidade de vida quando você tem de lidar com metrô lotado logo após acordar, e depois, bem ao final de um cansado dia de trabalho, logo antes de, finalmente, descansar. Os usuários dos vários meios públicos de transporte, têm, sim, sua parcela de responsabilidade em torná-los filiais móveis do inferno na Terra: é uma falta de educação, respeito ao próximo e organização que se perpetuam geração após geração. E juntando todos os ingredientes num caldeirão, temos as desagradáveis experiências que se desenrolam ao pegar um metrô lotado todas as manhãs, antes mesmo de começarmos nosso dia.

É dessas experiências que tratará este blog. Entre, seja bem-vindo, fique à vontade [mas não muito, pois o espaço é limitado], ria, irrite-se, identifique-se e pense. Se todos nós mudarmos de atitude dentro [e fora] do metrô, podemos ajudar a tornar a nossa vida e a dos outros, mais leve, agradável e bem-humorada.

Welcome to the jungle!