Quem usa a linha vermelha do metrô logo de manhã, sabe que ali funciona assim: ou se está dentro da estação até as 6:30hs, ou pode pensar em voltar pra Itaquera, porque vai ser quase impossível entrar no vagão sem mal estar e puxão de cabelo pelas próximas, aproximadamente, 2 horas.
Hoje eu cheguei 6:38hs ¬¬ . Entrei, já no aperto. Ao meu lado, um cara que chegava a quase bater a cabeça no teto, me fazia sentir inveja pelo conforto que a altura dele lhe dava de vantagem. Pedi licença para tentar me embrenhar pelo corredor. Ele me atendeu, com clara má vontade.
Parei atrás de duas mulheres, que perceberam a dificuldade que meu metro e meio me impunha ao tentar segurar na barra de metal àquela distância. Continuaram imóveis. E aquele vai-e-vem do trem, e eu me equilibrando...
O cara de 2 metros, então, posicionou-se atrás de mim, onde havia um belo espaço, o qual permitiria que ele sequer esbarasse em mim, se quisesse. Mas ele não quis. E flexionou o joelho a fim de ter maior "superfície de contato" entre ele e meu dérrier. Aqui uma pausa;
Por frações de segundo, uma cena de filme Hollywoodiano desenhou-se em minha mente, onde eu derrubava esse cara no chão, enchia seu corpo de "bicas", e acabava com a raça dele lenta e dolorosamente.
Voltando à realidade, meu sangue quente ítalo-hispânico subiu, e de alguma forma, criei espaço naquele vagão: dei meio passo à frente e virei-me de lado para o cara-de-pau, deixando que ele e sua perna flexionada se contentassem em roçar na lateral da minha mochila, que eu carregava por uma única alça, no ombro direito.
Minha nova posição possibilitou que eu alcançasse, ainda que com dificuldade, a barra de metal vertical, então segurei-me ali, e procurei ficar quietinha. Ainda assim, recebi olhares de reprovação da "simpática" senhora ao meu lado [a mesma que não deu meio passo para me ajudar a segurar], que agia como se houvesse um amplo e confortável espaço para todos que ali estavam.
Finalmente, cheguei na Sé! Até aquele momento eu havia passado uns 15, no máximo 20, minutos naquele vagão, mas a sensação era de que haviam se passado 3 horas. Saí do vagão e dirigi-me à plataforma de embarque para a linha azul, e, já de cima da escada rolante, consegui visualizar o inferno que me esperava no próximo trem. Toda vez que eu chego nesse ponto, me vêm cenas da Divina Comédia* à mente. Enfim, desci as escadas e me posicionei em uma das "filas".
É curioso como quando algumas pessoas, quando avistam um novo trem, antes mesmo dele parar na plataforma, começam a se agitar e ensaiam um empurra-empurra. Eu pergunto: pra quê??? Vai fazer diferença empurrar quem está a sua frente ou esperar a pessoa andar normalmente? Uma dessas pessoas, estava atrás de mim. Era desses tipos que apóia a mão no seu ombro, como que fazendo menção de te empurrar. Com um jogo de corpo, demonstrei que não gostava do contto físico, respirei, e contei até 10. Ainda bem que dali faltavam poucas estações para o meu desembarque.
Quando cheguei no trabalho [agradecendo a Deus por ter saído daquele sufoco todo], liguei meu computador e me preparava para começar a trabalhar. Eu precisava descarregar umas fotos digitais para a minha máquina, então, abri minha mochila a fim de pegar o cabo da câmera digita. Qual não foi minha surpresa, então: minha mochila estava toda gosmenta! No meio de todo aquele aperto e do empurra-empurra, meu tubo de protetor solar abriu e vazou na mochila toda! Contei até dez novamente...
Bom dia para vocês......
*A Divina Comédia, é uma obra em que Dante Alighieri descreve sua concepção de como deve ser o inferno. Tenho certeza de que a obra de Dante seria totalmente diferente se ele tivesse dado um passeio de metrô por aqui...
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