quinta-feira, 27 de maio de 2010

Anjos existem

Hoje eu acordei muito triste.

Essa semana não tem sido a minha, e como o metrô é um amplificador de emoções [sempre tem alguém lá pra tornar seu dia pior...], certamente depois da minha viagem para o trabalho, meu dia ainda ia piorar...

O metrô não estava muito superlotado [estava apenas lotado] na hora em que eu o peguei, hoje de manhã. Mas como eu previa, sempre aparece um filho da puta.. Esse apareceu cedo: pegou o metrô logo na minha primeira estação.

Era um cara alto, mal-encarado, escondia o rosto no capuz da sua blusa de moletom, e entretia-se com um celular; o perfeito estereótipo de mano da z/l. Para completar sua imagem pré-concebida, só faltava a má educação, coisa que ele conseguiu demonstrar com clareza quando, em meio a uma profusão de lugares para segurar, escolheu poucos centímetros acima da minha cabeça, e ainda, passou a usá-la para apoiar o cotovelo.

Pronto! Meu dia ruim já estava a começando ser ruim, exatamente como eu previa. Mas eu não contava com Ele... O mano estava atrás de mim, mas do meu lado esquerdo - o lado da porta do metrô - tinha um outro rapaz. Era simpático, mas meio esquisito; algumas vezes, eu percebia que ele fixava seu olhar no meu rosto, ficava um tempão olhando como se fosse me dizer alguma coisa, mas não dizia nada.

Algumas vezes, tive a impressão de que esse cara ia tentar algum xaveco ou coisa parecida, mas me surpreendi com ele. Percebendo todo o desconforto que o mano da z/l me causava [afinal eu não tinha onde pôr, vejam só, a minha CABEÇA], ele se esforçou pra abrir um espaço a mais entre nós e me disse: " vem mais pra frente". Fiz um gesto, mostrando-lhe que eu carregava uma mochila e, por isso, eu não caberia naquele espaço, e ele, então, tentou se reacomodar de modo que minha mochila coubesse ali. Eu agradeci a ajuda, mas dali pra frente, não mantivemos nenhuma conversa.

Mais pra frente, conforme o metrô se aproximava da Sé, como de costume, o vagão foi lotando progressivamente. Para a minha surpresa, meu vizinho de viagem preferiu ser esmagado a me esmagar, e a cada leva de gente que entrava, ele fazia algum esforço para não acabar me esmagando por tabela.

A uma certa altura dos acontecimentos, fiquei intrigada, pois reconsiderei a hipótese da intenção de xaveco por parte do moço, eis que finalmente chegamos na estação em que eu desceria. O rapaz perguntou se eu desceria ali e me contou que o fim da sua linha seria uma estação depois daquela. Me desejou bom dia - ao que eu respondi educadamente - e eu desci pra fazer baldeação. Eu fiquei realmente surpresa; por que alguém que nem me conhece usou de tanta gentileza comigo assim, tão por nada, tão de graça?

Anjos existem. E eles não têm asas nem auréola; são apenas pessoas comuns que têm atitudes bacanas, em momentos inspirados, e que numa dessas, podem salvar seu dia. Eu ganhei o dia por conta da 'proteção' daquele completo estranho.

Hoje eu acordei muito triste. Mas vi o sol nesta manhã tão cinza.

Um comentário:

Luis Menezes disse...

Oi Ju.
É essas pessoas que fazem a diferença na nossa vida. Não precisa ser alguem conhecido, e sim um simples gesto de bondade.
Pelo menos isso é comum. O pior é quando eu vejo alguma mulher sendo encoxada e toda desajeitada tentando se virar de alguma maneira para o individo parar. Como isso me irrita.
Ai basta uma pergunta para a moça: "Quer trocar de lugar?" e pronto tudo resolve, o cara para na hora, percebe que estão vendo o que ele esta fazendo. Isso é o Brasil, fazer o que. Mesmo com tudo isso ainda amo nosso Brasil.
Saudades de vc viu.. Adoro teu blog.. Bjooo bem grande pra ti.